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FOTO: ARQUIVO PESSOAL Mestre Dunga - Sou discípulo que aprende e mestre que dou lição

O conhecimento acadêmico aliado à vivência na roda: Mestre Dunga e sua abordagem multidisciplinar da Capoeira.


R.M. — Mestre Dunga, seu apelido na Capoeira carrega história. Como sua formação em Educação Especial e sua atuação como professor numa Escola de Ensino Médio em Tempo Integral influenciaram a forma como você vê o papel social e inclusivo da Capoeira?

M. Dunga — Quando atuamos no ensino regular detectamos alunos em condições especiais, mas o contato se restringe a sala de aula. No caso quando atuamos em tempo integral temos mais tempo de convivência com os alunos e sendo assim mais oportunidades no que se refere a compreensão das necessidades de cada um. Quando adentramos no mundo dos alunos especiais temos uma grande necessidade de entender e compreender o porquê de certos comportamentos. Alunos Autistas, com TDH, depressivos, esquizofrênicos, com dificuldades de relacionamento etc. Faz-se necessário um determinado conhecimento a respeito de crianças especiais para que possamos atuar pontualmente em cada caso. A Capoeira com todos seus componentes lúdicos é uma ferramenta importantíssima quando se trata de ATIVIDADE INCLUSIVA.

R.M. — Com duas pós-graduações em Pedagogia do Esporte e Ciência do Treino Desportivo, como você aplica esses conhecimentos científicos para aprimorar o ensino e a performance da capoeira, mantendo sua essência cultural?

M. Dunga — Sabemos que a Capoeira necessita de uma movimentação bastante complexa, exigindo do Professor (Mestre) uma gama de conhecimentos bastante variada, pois trata-se de uma Arte dentro de várias Artes: GINGAR, TOCAR, CANTAR, DANÇAR, se relacionar, entender o ritual, os fundamentos da Roda etc.

CIÊNCIA DO TREINO DESPORTIVO: No caso dessa pós-graduação aprendemos como avaliar as capacidades físicas, bem como mensurar o grau de intensidade e volume do treino dos nossos alunos, tirando deles no momento certo o seu maior potencial atlético.

PEDAGOGIA DO ESPORTE: Nessa pós-graduação é um campo do conhecimento que investiga as práticas educativas no esporte, no caso na Capoeira, focando na organização, reflexão, avaliação e sistematização do processo de ensino e aprendizagem, buscando ir além do mero desempenho técnico. Ela se propõe a entender e intervir nos fenômenos socioculturais do esporte, promovendo uma formação integral dos indivíduos e uma prática mais inclusiva e participativa, considerando o esporte como um fenômeno complexo e cheio de significados.

R.M. — Sua formação em Psicanálise e Psicologia Escolar é rara entre mestres. Como esse entendimento da mente humana impacta sua maneira de mediar conflitos na roda e desenvolver o lado emocional dos capoeiristas?

M. Dunga — PSICANÁLISE: É um campo complexo que engloba uma teoria de funcionamento mental, desenvolvida por Sigmund Freud, e um método terapêutico. Seu objetivo é compreender a mente humana explorando os processos inconscientes que influenciam pensamentos, sentimentos e comportamentos. ATRAVÉS DA ESCUTA e INTERPRETAÇÕES DE CONTEÚDOS como sonhos e lapsos de linguagem, a Psicanálise busca revelar conflitos internos e experiências passadas que afetam o indivíduo no presente.

PSICOLOGIA ESCOLAR: É uma área da Psicologia que foca no desenvolvimento social, emocional e cognitivo dos estudantes dentro do ambiente escolar, visando aprimorar o processo de ensino-aprendizagem. O Psicólogo escolar atua na escola para apoiar alunos, professores, famílias e a equipe pedagógica, abordando dificuldades de aprendizagem, promovendo relações interpessoais saudáveis, atuando na prevenção de problemas como bullying e contribuindo para o desenvolvimento do projeto político-pedagógico da instituição.

De posse dessas três ferramentas, Psicanálise, Psicologia Escolar e a Capoeira como mecanismos de compreensão dos conflitos e relações coletivas e individuais, a caminha dentro da mediação torna-se mais palpável.

R.M. — Como sua pós-graduação em Gestão Escolar e a experiência na rede pública ajudam você a organizar eventos como o 'Encontro dos Precursores da Capoeira Cearense' e a pensar em estratégias para estruturar grupos de capoeira?

M. Dunga — Minha experiência de 40 anos dentro das escolas públicas do Ceará, mostrou-me que nada sem gestão funciona.

GESTÃO ESCOLAR: É o processo administrativo e pedagógico que visa organizar, otimizar e garantir o bom funcionamento de uma instituição de ensino, focando no desenvolvimento dos alunos, na qualificação dos professores e no envolvimento da comunidade escolar. Ela envolve planejamento estratégico, liderança, coordenação de equipes e o uso eficiente de recursos para criar um ambiente propício à aprendizagem, engajamento e bem-estar de todos os envolvidos.

Nossa organização do ENCONTRO DOS PRECURSORES DA CAPOEIRA CEARENSE não fugiu em nada desses preceitos de gestão, todos os pontos aqui citados foram aplicados na promoção do evento: GESTÃO PEDAGÓGICA, GESTÃO ADMINISTRATIVA, GESTÃO FINANCEIRA, GESTÃO DE PESSOAS, INTERAÇÃO COM A COMUNIDADE DA CAPOEIRA.

R.M. — Sua especialização em Educação e Prevenção da Dependência Química é crucial. Como a capoeira, sob sua orientação, se torna uma ferramenta concreta de prevenção e ressocialização, especialmente para jovens em vulnerabilidade?

M. Dunga — Como o público que a Capoeira no meu caso aborda são garotos na faixa etária de 14 a 18 anos de comunidade e um grau de vulnerabilidade muito grande, como sabemos as comunidades atualmente sofrem uma epidemia de drogas, prostituição e marginalidade apoiadas por um poder paralelo (Facções) onde o jovem encontra um "APOIO" negativo para contravenção.

EDUCAÇÃO E PREVENÇÃO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA: Trata-se de uma especialização voltada para Educação e Prevenção do uso de substâncias químicas (DROGAS). Quando nos apropriamos dos mecanismos terapêuticos preventivos ao uso de entorpecentes fica mais fácil detectar as mudanças de comportamentos básicas no meio dos jovens. Na escola tenho um projeto com cerca de 100 alunos onde a heterogeneidade de pessoas, comportamentos, realidades sociais e adoecimento mental é uma realidade, tenho alunos Autistas, Usuários, esquizofrênicos, homo afetivos, idosos etc. Sabemos que para cada um desses casos existem abordagens direcionadas e o conhecimento sobre o uso de drogas e como educá-los torna-se necessário; é um conjunto de estratégias visando ajudá-los a não entrar ou sair desse contexto social.

R.M. — Seu Mestrado em Ensino na Saúde (UECE) explora a interseção entre educação e bem-estar. Como você integra os princípios da promoção de saúde à prática pedagógica da capoeira?

M. Dunga — O tema do meu Mestrado profissional em Ensino na Saúde pela UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE) é "A Capoeira, como fundamentação teórica", é um tema debatido por uma infinidade de abordagens, sociólogos, antropólogos, folcloristas e educadores. A relevância do estudo está na busca das produções científicas que relacionam a prática da Capoeira em suas relações com a promoção da saúde, e assim, contribuir para reforçar o papel da Capoeira na área da saúde, preservando a sua difusão como arte marcial genuinamente brasileira e seus fundamentos ancestrais como recurso da cultura corporal de origem afro-brasileira a partir da interface da Promoção da Saúde e seus princípios (BORDA, 2018).

R.M. — Como coprodutor do Encontro dos Precursores da Capoeira Cearense, qual a importância de resgatar e valorizar essa memória para a identidade e o futuro da capoeira no estado?

M. Dunga — Toda Arte, Esporte, Modalidade de Luta, etc tem uma origem, um presente e um futuro. Se não houvessem os que nos antecederam como estaríamos aqui? Sem os africanos, como construiríamos esse legado ancestral? Toda essa africanidade brasileira veio de onde? A Capoeira cearense já possui sua história, já existem histórias a serem contadas pela sociedade cearense acerca de seus capoeiristas. E nada mais justo que a preservação da memória da Capoeira Cearense. Esse é o papel do ENCONTRO DOS PRECURSORES DA CAPOEIRA CEARENSE, não deixar morrer nossos heróis tupiniquins.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL Mestre Dunga no Tatame de Jiu-Jitsu

A interdisciplinaridade das lutas: Mestre Dunga, também faixa preta de Jiu-Jitsu, integra saberes marciais.

R.M. — Seu trabalho pioneiro com 'jiu-jitsu voltado para a capoeira' é fascinante. Como surgiu essa ideia e de que forma ele complementa, protege ou aprimora o jogo do capoeirista, especialmente em situações de solo?

M. Dunga — Todos sabemos que todas as artes marciais possuem matriz oriental. A Capoeira não é diferente, nossa Capoeira é uma mesclagem de lutas de origem africanas e orientais. A Capoeira Angola tida como mais raiz, teve que se modificar e se adequar a uma época onde a marcialidade da Capoeira se colocou à prova. A eficiência como luta genuinamente brasileira teve que subir aos ringues do Rio de Janeiro na figura de heróis da Capoeira como Manuel dos REIS MACHADO (MESTRE BIMBA, CIRÍACO entre outros).

A Capoeira absorveu do Jiu-Jitsu, Savate ou Savata e do Boxe, muitos movimentos que foram adaptados à capoeiragem da Época. Logo o meu trabalho pedagógico do Jiu-Jitsu voltado à Capoeira ou A Capoeira voltada para o Jiu-Jitsu, nada mais é um processo pedagógico e que acrescenta ao aluno uma visão mais ampla do que seja as artes marciais e seus benefícios. Sem fragmentação e despida de preconceitos de modalidades.

R.M. — Ser faixa preta em Jiu-jitsu e Mestre de Capoeira lhe dá uma perspectiva única. Quais são os diálogos mais ricos que você enxerga entre essas duas artes marciais, além do aspecto físico?

M. Dunga — Ser faixa preta ou Mestre em qualquer modalidade de luta, é apenas ser um aluno que nunca desistiu, que entendeu o valor moral e formativo de uma caminhada repleta e desafios, obstáculos, erros e acertos. Ser faixa preta ou Mestre em Capoeira não é o final é o começo de uma caminhada repleta de desafios e responsabilidades onde nosso dever para com o próximo aumenta com o passar do tempo.

R.M. — Você fala em desenvolver senso crítico nos praticantes. Como a capoeira, sob sua batuta, vai além da técnica para formar cidadãos conscientes da sua história, dos seus direitos e do seu papel social?

M. Dunga — O que seria do homem sem seu senso crítico? O que é criticidade? Como podemos nos desenvolver mais como seres humanos sem estabelecer parâmetros de comportamento? Será que eu concordo com tudo que ouço ou vejo sem manifestar minha opinião? Qual o sentido de uma filosofia de luta ou de algum tipo de modalidade se não for desenvolver o que há de melhor nos seus praticantes?

A Capoeira não é diferente, ela procura desenvolver no seu praticante, percepções que às vezes se tornam imperceptíveis aos olhos de leigos: visão, flexibilidade, astúcia, disciplina, caráter, personalidade, improvisação, marcialidade, musicalidade, coordenação, criticidade entre outras aptidões. Cabe aos Mestres e professores não relaxarem na formação de seus alunos.

R.M. — Atuando na rede pública de tempo integral, como você insere a capoeira não apenas como atividade física, mas como um eixo formador de valores e identidade cultural dentro do projeto pedagógico da escola?

M. Dunga — Uma escola em tempo integral é aquela onde os alunos permanecem por um período estendido, com no mínimo 7 horas diárias ou 35 horas semanais, oferecendo não apenas aulas regulares, mas também atividades que promovem a formação cidadã, o desenvolvimento socioemocional e o protagonismo. O objetivo é aprimorar a aprendizagem e a socialização, com currículos que integram cultura, arte, lazer e atividades práticas, visando reduzir as desigualdades educacionais, como destaca o GOV BR. É aí que se torna um território fértil para a prática da Capoeira, uma modalidade totalmente inserida nesse contexto educacional, rendendo muitos frutos e elogios.

R.M. — Qual é o seu grande sonho para o meio social capoeirístico? Que mudanças estruturais você almeja ver acontecer nos próximos anos?

M. Dunga — Meu sonho como Educador e Mestre em Capoeira é que nossa modalidade possa alcançar patamares que esteja a altura que a modalidade merece. Como formadora de comportamentos, como consciência de um povo miscigenado e orgulhoso de suas origens, que a potencialidade educacional da Capoeira seja entendida e compreendida por educadores e gestores. Que nossos Mestres se aprimorem e possam ser respeitados academicamente. Que a Capoeira seja respeitada realmente como o ESPORTE DE UMA NAÇÃO.

R.M. — Na sua visão, quais são os maiores desafios que a capoeira enfrenta hoje para manter sua autenticidade e relevância social, e como seu trabalho busca superá-los?

M. Dunga — São vários os desafios, ainda existem locais onde a Capoeira sofre discriminação, desconhecimento, falta de informação, posso falar até em ignorância no sentido da palavra. Porque a Capoeira é mais praticada nas comunidades? Não existem intelectuais na Capoeira? Porque muitos mestres são discriminados por não terem nível superior? Será que não existe sabedoria na vivência? No cotidiano, nas experiências práticas? Porque não existe uma UNIVERSIDADE VOLTADA PARA A CULTURA DO BRASIL? Esses são alguns desafios de inúmeros que poderia citar.

R.M. — A Capoeira como Ferramenta de inclusão

M. Dunga — A Inclusão Social é um processo multifacetado que visa garantir que todos os indivíduos, sem distinção de raça, gênero, deficiência, classe social ou qualquer outra característica, tenham oportunidades iguais para participar ativamente na sociedade e aceder aos direitos e benefícios que ela oferece. O seu objetivo é combater a exclusão, promovendo a integração e o reconhecimento de cada pessoa como um sujeito de direitos, através de mudanças de atitudes e de ações concretas que equiparam as oportunidades da vida.

A Capoeira vem mostrando ao longo dos anos uma ferramenta importantíssima de inclusão Social, pois trata de comunidades onde as oportunidades sociais são escassas. O Capoeirista é por si só um sobrevivente de uma sociedade segregadora onde o ter é mais importante do que o ser. Graças a evolução educacional as habilidades que o indivíduo adquire na prática da Capoeira já mostrou toda sua importância inclusiva e educativa. Trabalha-se com a Capoeira nas mais diversas atividades físicas e educacionais e sua importância pedagógica é hoje incontestável.

R.M. — Como sua formação em Educação Especial se reflete no seu ensino da capoeira, tornando-a acessível e significativa para pessoas com diferentes corpos e habilidades?

M. Dunga — EDUCAÇÃO ESPECIAL: É uma modalidade educacional dedicada a estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, oferecendo recurso, adaptações e atendimento especializado para garantir o acesso à educação na rede regular de ensino. Ela atua em colaboração com a Educação Inclusiva, que busca a participação e o aprendizado de todos os alunos no ambiente escolar, e é apoiada por profissionais qualificados e tecnologias assistivas para promover a inclusão e o desenvolvimento de cada estudante. Os benefícios Psicológicos, Sociais e Físicos que o Ambiente da Capoeira proporciona são ilimitados, adaptando-se plenamente a essa modalidade de ensino. As atribuições inclusivas de que trata a Modalidade Capoeira é a mais vasta possível, pois vai desde o desenvolvimento Infantil, passando pela fase de adolescência onde a capoeira Escola se encaixa bem, com todas suas nuances e desafios, alunos com todos os tipos de transtornos de comportamento e chegando na adultez e terceira idade. Trata-se de uma ferramenta de extrema eficiência educacional e inclusiva.

R.M. — Como sua trajetória acadêmica robusta (com tantas especializações e mestrados) influencia sua forma de documentar, analisar e transmitir os saberes da capoeira, indo além da tradição oral?

M. Dunga — A Pesquisa científica é fundamental para o avanço do conhecimento, o desenvolvimento tecnológico e a melhoria da qualidade de vida da sociedade, pois busca solucionar problemas, inovar em produtos e serviços e expandir a compreensão do mundo de forma sistemática e validada. Além disso, impulsiona o desenvolvimento econômico e social de uma nação e enriquece a formação de profissionais críticos e inovadores. A Capoeira já possui diversas linhas de pesquisas na área da Educação, Filosofia, Sociologia, Psicologia, Educação Física entre outras modalidades, a cada ano se expande e cresce mostrando novos rumos e caminhos Educacionais.

R.M. — O 'Encontro dos Precursores' preserva o passado. Como você trabalha, através da sua pedagogia, para garantir que as novas gerações não só aprendam os movimentos, mas também carreguem adiante a filosofia e responsabilidade social da capoeira?

M. Dunga — Encontro dos Precursores da Capoeira Cearense nasceu de uma ideia filosófica inicialmente do MESTRE JEAN SURFISTA e do MESTRE DUNGA acompanhado de perto do olhar experiente do MESTRE SKISITO nosso patrono e cidadão do mundo. A ideia inicial era apenas o resgate dos Capoeiristas antigos do Estado do Ceará, mas tomou proporção de INSTITUTO, abriu um leque muito diversificado voltado a ações sociais tendo a Capoeira como veículo regulador.

R.M. — Depois de toda essa trajetória, o que ainda faz seu coração vibrar quando você entra na roda? O que é, para Mestre Dunga, o 'amor pela capoeira'?

M. Dunga — Todas as minhas justificativas não podem mostrar o quanto a Capoeira e a Roda de Capoeira significam para mim e para minha família, fui forjado dentro de uma Academia de capoeira, conheci os melhores capoeiristas do mundo, me aperfeiçoei profissionalmente com um estudo voltado para o ser humano onde a Capoeira contribuiu fortemente na formação ética e profissional, tornando-se importantíssima na minha vida.

R.M. — Como você estimula, concretamente, durante os treinos e rodas, que seus alunos desenvolvam o senso crítico que você defende, questionando não só o jogo, mas o mundo ao seu redor?

M. Dunga — A minha própria trajetória como Capoeirista, atleta, professor, Aluno são norteadores para uma conduta crítico social dos meus alunos, sem um conteúdo formativo dentro da Capoeira, não teria sentido praticá-la.

R.M. — Fortaleza tem uma cena de capoeira pulsante. Como você vê a contribuição da capoeira cearense para o cenário nacional e qual o papel dos mestres locais na inovação e preservação da arte?

M. Dunga — A Capoeira Cearense já foi considerada uma das melhores do país, exportando inúmeros talentos dentro e fora do Brasil. A contribuição da Capoeira do Ceará no cenário mundial é gigantesca, existem cearenses no mundo todo. Os mestres locais determinam a continuidade do legado deixados pelos nossos Precursores.

R.M. — Finalmente, Mestre Dunga, qual a sua mensagem como guardião da tradição e agente da inovação: para os velhos mestres que abriram os caminhos, para os capoeiristas atuais que constroem ao presente, e para as crianças que representam o futuro da nossa Capoeira?

M. Dunga — Não existe futuro sem passado e presente, aos velhos mestres continuem a aprender sempre, se fortaleçam, pesquisem, criem, se unam e sejam Éticos.

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